sexta-feira, 9 de agosto de 2013
 Uma vez, quando eu ainda era criança, vi em um filme que amar era assim: fácil. Depois, nas histórias da vida real, percebi que podia não ser tão simples assim. Em um dos episódios de Grey’s Anatomy, uma das minhas séries favoritas, um personagem disse para a mulher que a amava tanto que doía. E por isso eles acabaram. Era isso o que eu tinha encarado até aqui na minha vida: amores que doeram. Todos belos, guardados a sete chaves no porão das minhas lembranças, com cadeiras reservadas no meu coração. Mas amores de pratos quebrados, promessas não cumpridas e gritos que incomodavam os vizinhos. Amores loucos, possessivos, avassaladores. Eu nunca tinha vivido a tal sorte de um amor tranquilo que Cazuza falava. Até ele aparecer.

Ele, que gosta mais de margarina do que manteiga. Que toma café sem açúcar porque diz que temos que encarar as coisas da vida assim: na marra. Ele, que me convidou para ver o pôr do sol no nosso primeiro encontro ao invés de me chamar para jantar. E me presenteou com cds de todas as suas bandas favoritas. Ele, que me abraça no meio de uma briga para eu me acalmar. Que me dá presentes inesperados, beijos não aguardados e declarações a dois melhores do que em público. Ele, que segura minha mão no avião, no shopping e na rua. Que segura minha mão na vida.

E você tinha razão, Cazuza. Tem sabor de fruta mordida, balanço na rede, todo amor que houver nessa vida. Tem barulho das ondas do mar. Tem cheiro de casa. Gosto de chocolate quente. Aquela sensação de ficar na cama em um domingo de manhã sem pressa de acordar pra vida. Um amor cheio de imperfeições, diferenças e opiniões contrárias, mas com uma paciência sem tamanho. E um tédio que, na verdade, nunca chega. Tão lindo quanto todos os outros amores do mundo, mas com a sorte tranquila de ser só meu.

E com ele, apesar dos filmes, das histórias da vida real e dos meus antigos amores, eu descobri que amar não tem fórmula. Pode ser silencioso, calmo, tranquilo, feliz, barulhento, difícil, penoso, árduo, bipolar. Amor pode ser tudo, só não pode ser exato. Porque nas contas do coração, amigo, 2+2 pode dar 5. E 1+1 pode acabar virando 1 milhão. De beijos…



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Escrevo para afogar as mágoas ou tentar esquecê-las, ou para registrar-las e sofrer sempre que ler-las, deixo você escolher...
Tenho 19 anos e ainda não vivi nada, acho que sei de tudo, boba, ninguém nunca vai saber. Quer me conhecer? Basta ler um pouco de cada texto, boa sorte.

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